quarta-feira, 27 de abril de 2016

. Alguns ferimentos espirituais provocados pela inflação ( A lógica do Demônio)

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Inflação de toda a década de 80 :36.850.000 % mais 6 moedas diferentes no Brasil.Esqueceram?

Inflação é o que ocorre quando as pessoas aumentam a oferta monetária por meio de fraude, imposição ou quebra de contrato.  Invariavelmente, ela gera três conseqüências características: (1) ela beneficia os perpetradores à custa de todos os outros usuários do dinheiro; (2) ela permite a acumulação de dívidas além do nível que as dívidas poderiam atingir no livre mercado; e (3) ela reduz o poder de compra do dinheiro para um nível menor do que aquele que prevaleceria no livre mercado.

Embora essas três consequências sejam ruins o bastante, as coisas ficam muito piores quando a inflação é estimulada e promovida pelo estado (inflação por decreto).  A inflação criada pelo governo é contínua, e, como resultado, podemos observar a formação de instituições e hábitos especificamente criados pela inflação.  Assim, a inflação monetária criada monopolisticamente pelo governo gera uma mácula cultural e espiritual na sociedade. 
A inflação beneficia o governo que a controla, não apenas em detrimento da população como um todo, mas também em detrimento de todos os governos estaduais e municipais.
A inflação estimula o crescimento dos governos centrais.  Ela permite que esses governos cresçam para muito além do que poderiam crescer em uma sociedade livre.  E ela permite que eles monopolizem determinadas funções em uma escala que não ocorreria em um ambiente em que o dinheiro fosse produzido pelo livre mercado.  Isso ocorre à custa de todas as formas de governo intermediário, e, é claro, à custa da sociedade civil como um todo.  A centralização do poder estimulada pela inflação transforma o cidadão médio cada vez mais em um átomo socialmente isolado.  Todas as suas relações sociais tornam-se controladas pelo estado central, o qual também passa a fornecer a maioria dos serviços que antes eram ofertados por outras entidades sociais, como a família, as igrejas e o governo local.  Ao mesmo tempo, a direção central do aparato estatal torna-se cada vez mais distante da vida diária de seus protegidos.

Alguns ferimentos espirituais provocados pela inflação monetária

A inflação monetária reduz constantemente o poder de compra do dinheiro.  Em algum grau, é possível para as pessoas protegerem sua poupança contra esse fenômeno, mas isso requer um completo conhecimento de estratégias financeiras, tempo disponível para supervisionar constantemente seus investimentos e uma boa dose de sorte.  As pessoas que não possuem um desses ingredientes irão provavelmente perder uma parte substancial de seus ativos.  A poupança de toda uma vida normalmente desaparece por completo durante os primeiros anos da aposentadoria.  A consequência é o desespero e a erradicação dos padrões morais e sociais.  Porém, seria errado inferir que a inflação produz esse efeito principalmente nos mais idosos
Esses efeitos são "especialmente fortes entre os jovens.  Eles aprendem a viver pensando apenas no presente e desdenham daqueles que tentam ensiná-los 'coisas antiquadas como moralidade e parcimônia.'  A inflação, desta forma, estimula uma mentalidade de gratificação imediata que está em completo desacordo com a disciplina e a eterna perspectiva requeridas para se exercer os princípios da intendência bíblica -- como investimentos de longo prazo para o benefício de gerações futuras
Mesmo aqueles cidadãos abençoados com o conhecimento, o tempo e a sorte para proteger o capital de sua poupança não são capazes de se esquivar dos impactos perniciosos da inflação, pois eles têm de adotar hábitos que estão em desacordo com a saúde moral e espiritual.  A inflação os obriga a gastar muito mais tempo pensando no seu dinheiro do que seria necessário na ausência dela.  Como já dito, a maneira antiga de os cidadãos comuns pouparam era acumulando dinheiro dentro de casa.  Sob um ambiente de inflação monetária como o atual, essa estratégia é suicida.  Eles precisam investir em ativos cujos valores crescem com a inflação; e a maneira mais prática de se fazer isso é comprando ações e títulos.  Porém, isso demanda várias horas dedicadas ao estudo, à comparação e à seleção dos papeis adequados.  E isso os obriga a estarem sempre vigilantes e preocupados com seu dinheiro, para o resto de suas vidas.  Eles precisam estar sempre seguindo o noticiário financeiro e monitorando os preços das ações no mercado financeiro.
Similarmente, as pessoas tenderão a prolongar a fase de suas vidas na qual elas se esforçam para ganhar dinheiro.  E, ao escolher suas profissões, elas darão uma ênfase relativamente maior nos retornos monetários do que em qualquer outro critério.  Por exemplo, alguns daqueles que teriam maior propensão à jardinagem irão abandonar essa vocação e procurar um emprego industrial, pois este oferece maiores retornos financeiros no longo prazo.  E mais pessoas irão aceitar empregos distantes de suas casas apenas pelo fato de estes permitirem a elas ganharem um dinheiro extra -- algo que não ocorreria com tanta frequência em um sistema monetário natural.
A dimensão espiritual desses hábitos induzidos pela inflação parece ser óbvia.  Questões monetárias e financeiras passam a ter um papel exagerado na vida de um homem.  A inflação torna a sociedade materialista.  As pessoas cada vez mais se esforçam para obter dinheiro à custa da felicidade pessoal.  A mobilidade geográfica induzida pela inflação enfraquece artificialmente os laços familiares.  Muitos daqueles que tendem a ser gananciosos, invejosos e mesquinhos tornam-se vítimas do pecado.  Mesmo aqueles que não possuem tal propensão serão expostos a tentações que não sentiriam caso contrário.  E como os caprichos do mercado financeiro também fornecem uma desculpa perfeita para o uso excessivamente sovina do dinheiro, doações para instituições de caridade tendem a declinar.
E há o fato de que a inflação perene tende a deteriorar a qualidade dos produtos.  Todo vendedor sabe que é difícil vender o mesmo produto físico a um preço maior do que aquele vigente nos anos anteriores.  Porém, aumentos nos preços são inevitáveis quando a oferta monetária ( crédito) está em crescimento contínuo.  Sendo assim, o que os vendedores fazem?  Em muitos casos, a salvação vem por meio da inovação tecnológica, a qual permite um modo de produção mais barato do produto, desta forma neutralizando ou até mesmo compensando em demasia a influência da inflação.  Isso ocorre, por exemplo, na indústria de computadores e de equipamentos construídos com uma grande quantidade de insumos de tecnologia da informação.
Porém, em outras indústrias, o progresso tecnológico possui um papel muito menor.  Aqui, os vendedores lidam com o problema acima mencionado.  Consequentemente, eles fabricam um produto de qualidade inferior e o vendem com o mesmo nome, junto com os eufemismos que se tornaram costumeiros no marketing comercial.  Por exemplo, eles podem ofertar aos seus consumidores café "light" e vegetais "não condimentados" -- o que pode ser traduzido como café ralo e vegetais que já perderam todos os resquícios de sabor.  Podem também oferecer os mesmos produtos em menores quantidade e tamanho.  
Deteriorações similares podem ser observadas na indústria de construção civil.  Países flagelados pela inflação parecem ter sempre uma maior proporção de casas e ruas em constante necessidade de reparos.
Em ambientes assim, as pessoas desenvolvem uma atitude mais desleixada em relação às palavras que utilizam.  Se tudo realmente for aquilo de que passou a ser chamado, então é difícil explicar a diferença entre verdade e mentira.  A inflação incita as pessoas a mentirem sobre seus produtos, e a inflação perene estimula o hábito de mentir rotineiramente.A inflação monetária parece difundir esse hábito como um câncer para todo o resto da economia.
Na maioria dos países, o crescimento do estado assistencialista tem sido financiado por meio do acúmulo da dívida pública em uma escala que seria impensável sem o advento do dinheiro de papel.  Uma rápida olhada no histórico mostra que o crescimento exponencial do estado assistencialista, que na Europa começou no início da década de 1970, progrediu pari passu com a explosão da dívida pública.  É amplamente sabido que tal acontecimento tem sido um grande fator no declínio da família.  Porém, é normalmente negligenciado o fato de que a principal causa desse declínio é a inflação monetária.  De maneira lenta, porém resoluta, a inflação perene destroi a família, sufocando a chama da moral cristã.
A família cristã é a mais importante "produtora" de um determinado tipo de moral.  A vida familiar só é possível se todos os membros forem seguidores de determinadas normas, tais como a legitimidade da autoridade, a união heterossexual entre homem e mulher, e a proibição do incesto. 
E as famílias cristãs se baseiam em normas adicionais, como o amor entre o homem e a mulher e o amor do casal pelos seus filhos, o respeito dos filhos pelos pais, a realidade do Deus Triuno e Uno, a verdade da fé cristã etc.  Os pais constantemente repetem, enfatizam e vivem essas normas.  Essa experiência diária faz com todos os membros da família aceitem essas normas como sendo o estado normal das coisas.  Consequentemente, na esfera social mais ampla, tais pessoas também agirão de acordo com essas normas, seja em relações comerciais, seja em clubes, seja na política.
Amigos e inimigos da família cristã tradicional concordam com esses fatos.  Dentre outras coisas, é exatamente porque os cristãos reconhecem a efetividade da família no estabelecimento de normas sociais, que eles se esforçam para protegê-la.  E é exatamente por essa mesma razão que os defensores da licenciosidade moral tentam destruí-la.  O estado assistencialista tem sido sua ferramenta preferida nos últimos 30 anos.
Atualmente, o estado assistencialista fornece um grande número de serviços que, em outras épocas, eram todos eles ofertados pelas próprias famílias (e os quais, podemos supor, ainda seriam fornecidos em grande escala pelas famílias caso o estado assistencialista deixasse de existir).  Educação dos mais novos, cuidado pelos mais velhos e doentes, ajuda em momentos de emergência -- todos estes serviços foram hoje efetivamente "terceirizados" para o estado.  As famílias foram degradadas e rebaixadas a pequenas unidades de produção que compartilham entre si as contas da casa, os carros, a geladeira e, obviamente, os impostos.  O estado assistencialista, financiado por impostos, fornecerá a educação e os serviços médicos.
Em vários países, as famílias podem hoje deduzir do imposto de renda gastos com saúde privada educação privada.  Porém, e ironicamente (ou talvez não tão ironicamente assim), essa medida reforçou a erosão da família.O fato é que o estado assistencialista é ineficiente; ele fornece serviços comparativamente ruins a custos comparativamente maiores.  Não precisamos nos estender muito fazendo comentários sobre a incapacidade das agências estatais em oferecer o tipo de assistência emocional e espiritual que emerge apenas da caridade.  A compaixão não pode ser comprada.  Porém, o estado assistencialista também é ineficiente em termos puramente econômicos.  Ele opera por meio de grandes burocracias e é, desta forma, responsável pela falta de incentivos e critérios econômicos que impedem o desperdício de dinheiro.  Nas palavras do papa João Paulo II:
Ao intervir diretamente e privando a sociedade de sua responsabilidade, o estado assistencialista provoca a perda de energias humanas e um aumento exagerado das agências estatais, as quais são dominadas mais por lógicas burocráticas do que pela preocupação em servir os usuários, fazendo com que haja um acréscimo enorme das despesas.  Com efeito, parece conhecer melhor as necessidades e ser mais capaz de satisfazê-las quem está mais próximo dos necessitados.  Adicionalmente, vale ressaltar que certos tipos de necessidades requerem respostas que não sejam apenas materiais, mas que sejam capazes de compreender a mais profunda necessidade humana.
Todos sabem disso por experiência prática, e vários estudos científicos chegam à mesma conclusão.  É exatamente pelo fato de o estado assistencialista ser um arranjo econômico ineficiente, que ele depende exclusivamente de impostos.  Se o estado assistencialista tivesse de concorrer com as famílias em termos iguais, ele jamais duraria muito tempo.  Ele só expulsou do "mercado assistencial" a família e as caridades privadas porque as pessoas são obrigadas a pagar por ele de um jeito ou de outro.  Elas são obrigadas a pagar impostos, e elas não podem impedir o governo de se endividar cada vez mais -- medida essa que absorve o capital que de outra forma seria utilizado para a produção de bens e serviços distintos.
O excessivo tamanho do estado assistencialista dos dias atuais representa um ataque total e direto à moral cristã.  Mas ele também enfraquece essa moral por vias indiretas, a mais notável dela sendo o subsídio de maus exemplos morais.  O fato é que alguns "estilos de vida" alternativos carregam consigo grandes riscos econômicos, tendendo portanto a serem mais custosos que os tradicionais arranjos familiares.  O estado assistencialista socializa os custos de tais comportamentos, dando-lhes uma proeminência muito maior do que teriam em uma sociedade livre. 
Em vez de gerar uma penalidade econômica, o assistencialismo pode na verdade prover vantagens econômicas aos seus recebedores, pois ele os dispensa dos custos da vida familiar (por exemplo, os custos associados à criação de filhos).  Com o sustento do estado assistencialista, os assistidos podem então fazer escárnio da moral conservadora, rotulando-a como sendo algum tipo de superstição que não tem nenhum impacto na vida real.  A dimensão espiritual parece clara: o estado assistencialista sistematicamente expõe as pessoas à tentação de acreditarem que não existe absolutamente nenhum preceito moral que já foi testado e aprovado pelo tempo.
Permita-me enfatizar aqui que o objetivo das observações anteriores não foi atacar os serviços assistencialistas, os quais são na verdade um componente essencial das sociedades cristãs.  Antes, o ponto é que a inflação monetária destrói o controle democrático sobre a oferta desses serviços; que isso invariavelmente leva a um crescimento excessivo do estado assistencialista e a várias formas de assistencialismo; e que isso, por sua vez, não é algo inócuo ao caráter moral e espiritual da população.
As considerações acima não são de maneira alguma um relato completo e profundo do legado cultural e espiritual da inflação monetária.  Porém, elas devem ser suficientes para comprovar o ponto principal: a inflação monetária é uma usina geradora de destruição social, econômica, cultural e espiritual.

33 minutos de esclarecimento da diferença do capitalismo de amigos ou quadrilha para o verdadeiro capitalismo liberal.
                                                   




quarta-feira, 13 de abril de 2016

Tragédia Maldita dos Esquerdistas



Tragédia maldita dos esquerdistas: Juros simples na dívida dos Estados

Vamos começar com uma dado bem concreto. Os Estados no Brasil estão passando por uma imensa dificuldade de pagar suas contas. Já foi assim no ano passado e, neste ano, será ainda pior porque não há como cortar os investimentos públicos em cerca de 50%, como fizeram no ano passado, e muitos já utilizaram o que podiam de depósitos judiciais. Assim, a tendência é que a situação fiscal dos Estados piore.

O que fazer? O problema fiscal dos Estados no Brasil é o tamanho da burocracia: gastos com pessoal ativo e inativo. O peso dessa conta nos relatórios da Lei de Responsabilidade Fiscal mostram que a folha de pessoal dos Estados é entre 45% a 50% da RCL. Mas a conta correta é bem maior, algo entre 60% e 70% da RCL que eles Estados têm livre para pagar pessoal.

Assim, ajuste fiscal no âmbito dos Estados passa, necessariamente, por controle de gasto com pessoal – dispensa de funcionários públicos e redução de aumentos salariais. Isso é uma agenda impopular? Claro que é. Mas a alternativa também é impopular: aumento de carga tributária e/ou inflação.

Mas e se o PIB voltasse a crescer 4% ou 5% ao ano? Seria bom, mas para isso acontecer ,no médio prazo, nos próximos dez anos, será necessário quase um milagre. E fica difícil fazer planejamento baseado na expectativa de um milagre – se for para acreditar em milagres, vou mandar um teste difícil para Deus: fazer o Senador Lindbergh Farias (PT-RJ) defender a politica de ajuste fiscal do seu governo e elogiar os políticos liberais. Amém.

Dito isso, o que preocupa é que os governadores estão presos entre a necessidade imediata de cumprir com suas obrigações sem recursos financeiros para pagar as contas. O ajuste terá que ser dos dois lados: (i) dar aos govenadores instrumentos legais para reduzir a folha de pessoal, e (ii) algum alivio de curto prazo.

O Min da Fazenda já sinalizou com esse alivio de curto prazo por meio da ampliação do prazo de pagamento das divida, o que reduziria o pagamento de juros anuais em R$ 12 bilhões ao ano que se transformariam em despesa e, logo, em queda correspondente do resultado primário. Excelente. Isso já vale uma boa reza e algumas velas de agradecimento ao Min. da Fazenda Nelson Barbosa. Mas parece que alguns governadores querem mais.

O Projeto de Decreto Legislativo nº 315 de 2016, de autoria do irresponsável Deputado Esperidião Amin, propõe que o cálculo de juros da renegociação das dividas dos estados e municípios, que trocaram a correção da dívida de IGP-DI mais 6% a 9% ao ano por Selic ou IPCA + 4% ao ano, o que for menor, passe a ser feita por juros simples. Ou seja, ao invés da correção da dívida se dar por juros compostos, a correção se daria por juros simples.

Mas se vale para os Estados porque não valeria então para a sua dívida do cartão de crédito ou do cheque especial? Mas se vale para as dívida por que não valeria também para sua aplicação financeira nos bancos? É claro que o projeto é um absurdo e deveria ser rejeitado.

Vamos a tragédia O que aconteceria se aprovado? A dívida dos estados e municípios seria reduzida de imediato em R$ 300 bilhões. Isso não altera a dívida pública geral, a divida bruta do setor público de 67% do PIB. Mas ao reduzir a fortemente a dívida dos estados e municípios, esses entes da federação poderiam reduzir o pagamento de juros não apenas neste ano mas ao longo das próximas décadas e, assim, teriam exigência de um primário estruturalmente menor e ainda poderiam contrair novas dividas.

Isso é um absurdo. Se alguns Estados querem que o governo perdoe sua divida, talvez seja melhor que esse pleito fique claro. Mas corrigir retroativamente a divida por juros simples é uma coisa totalmente sem sentido que, acreditem, corre o risco de ser aprovado na Câmara dos Deputados.

Se o Projeto de Decreto Legislativo nº 315 de 2016 for aprovado, esqueçam o debate sobre ajuste fiscal e se preocupem mais com inflação, em entrar na justiça contra o seu banco e contra a administradora do seu cartão de crédito. Ademais, aumenta o risco de, no futuro próximo, termos uma renegociação forçada da dívida do setor público (olhem como fui educado: falei em renegociação forçada e não em calote).

sexta-feira, 8 de abril de 2016

Os jeco caipiras com cartão de crédito brasileiro.


Os jeco caipiras com cartão de crédito brasileiro

A meca do PICMB
A meca do PICMB
Ele não faz trabalhos domésticos. Não tem gosto nem respeito por trabalhos manuais. Se puder, atrapalha o trabalho de quem pega no pesado. Aprendi isso em criança: só enfia o pé na lama com gosto quem nunca teve o desgosto de ir para o tanque na área de serviço, depois, esfregar o tênis ou a chuteira debaixo de água fria. Só deixa um resto de bebida secar no fundo de um copo quem nunca teve que fazer o malabarismo de meter a mão lá dentro com uma esponja, com a barriga encostada na pia, para tentar lavá-lo.
Trata-se de uma tradição lusitana, ibérica, que vem sendo reproduzida aqui na colônia desde os tempos em que os negros carregavam em barris, nas costas, a toilete dos seus proprietários, e eram chamados de “tigres” – porque os excrementos lhes caíam sobre as costas, formando listras que lembravam a pelagem do animal. O perfeito idiota de classe média brasileiro, ou PICMB, não ajuda em casa também por influência da mamãe, que nunca deixou que ele participasse das tarefas – nem mesmo por ou tirar uma mesa, nem mesmo arrumar a própria cama. Ele atira suas coisas pela casa, no chão, em qualquer lugar, e as deixa lá, pelo caminho. Não é com ele. Ele foi criado irresponsável e inconsequente. É o tipo de cara que pede um copo d’água deitado no sofá. E não faz nenhuma questão de mudar. O PICMB é um especialista em não fazer, em fazer de conta, em empurrar com a barriga, em se fazer de morto. Ele sabe que alguém fará por ele. Então ele se desenvolveu um sujeito preguiçoso. Folgado. Que se escora nos outros, não reconhece obrigações e que adora levar vantagem. Esse é o seu esporte predileto – transformar quem o cerca em seus otários particulares.
O tempo do perfeito idiota de classe média brasileiro vale mais que o das demais pessoas. É a mãe que fura a fila de carros no colégio dos filhos. É a moça que estaciona em vaga para deficientes ou para idosos no shopping. É o casal que atrasa uma hora num jantar com os amigos. A lei e as regras só valem para os outros. O PICMB não aceita restrições. Para ele, só privilégios e prerrogativas. Um direito divino – porque ele é melhor que todos os outros. É um adepto do vale tudo social, do cada um por si e do seja o que deus quiser. Ele só tem olhos para o próprio umbigo e os únicos interesses válidos são os seus.
O PICMB é o parâmetro de tudo. Quanto mais alguém for diferente dele, mais errado esse alguém estará. Ele tem preconceito contra pretos, pardos, pobres, nordestinos, baixos, gordos, gente do interior, gente que mora longe. E ele é sexista para caramba. Mesma lógica: quem não é da sua tribo, do seu quintal, é torto. E às vezes até quem é da tribo entra na moenda dos seus pré-julgamentos e da sua maledicência. A discriminação também é um jeito de você se tornar externo, e oposto, a um padrão que reconhece em si mas de que não gosta. É quando o narigudo se insurge contra narizes grandes. O PICMB adora isso.
O perfeito idiota de classe média brasileiro vai para Orlando sempre que pode. Seu templo, seu centro de peregrinação, é um outlet na Flórida. Acha a Europa chata. E a Ásia, um planeta esquisito com gente estranha e amarela que não lhe interessa. Há um tempo, o PICMB ( Perfeito Idiota da Classe Média Brasileira) descobriu Nova York – para onde vai exclusivamente para comprar. Ficou meia hora dentro do Metropolitan, uma vez, mas achou aquilo aborrecido demais. Come pizza no Sbarro. Joga lixo no chão. Só anda de táxi – metrô, com a galera, nem em Manhattan. Nos anos 90, comprava camiseta no Hard Rock Cafe. Hoje virou um sacoleiro em lojas com Abercrombie & Fitch e Tommy Hillfiger. Depois de toda a farra, ainda troca cotoveladas no free shop para comprar uísque, perfume, chocolate e maquiagem. O PICMB é, sobretudo, um cara cafona. Usa roupas de polo sem saber o lado por onde se monta num cavalo. Nem sabe que aquelas roupas são de polo. Ou que polo é um esporte.
O PICMB adora pagar caro. Faz questão. Não apenas porque, para ele, caro é sinônimo de bom. Mas, principalmente, porque caro é sinônimo de “cheguei lá” e “eu posso” e “veja o quanto eu paguei nesse relógio ou nessa calça da Diesel”. Ele exibe marcas como penduricalhos numa árvore de natal. É assim que se mostra para os outros. Se pudesse, deixaria as etiquetas presas aos itens do vestuário e aos acessórios que carrega. O PICMB é jeca. É brega. Compra para se afirmar, para compensar o vazio e as frustrações, para se expressar de algum modo. O perfeito idiota de classe média brasileiro não se sente idiota pagando 4 000 reais por um console de vídeo game que custa 400 dólares lá fora. Nem acha um acinte pagar 100 000 reais por um carro que vale 25 000 dólares. Essa é a sua religião. Ele não se importa de ficar no vermelho – a preocupação com ter as contas em dias é para os fracos. Ele é o protótipo do novo rico burro. Do sujeito que acha que o bolso cheio pode compensar uma cabeça vazia.
O PICMB é cleptomaníaco. Sua obsessão por ter, e sua mania de locupletação material, lhe fazem roubar roupão de hotel e garrafinha de bebida do avião e amostra grátis de perfume em loja de departamento. Ele pega qualquer amostra de produto que esteja sendo ofertada numa degustação no supermercado. Mesmo que não goste daquilo. O PICMB adora boca livre e hotéis “all inclusive”. Ele adora camarote – quando ele consegue sentir o sangue azul fluindo em suas veias. Ele é a tradução perfeito do que é um pequeno burguês.
O perfeito idiota de classe média brasileiro entende Annita. Vibra com Latino. Seu mundo cabe dentro do imaginário do sertanejo romântico. Ele adora shows megaproduzidos, com pirotecnia, luzes e muita coreografia, cujos ingressos custem mais de 500 reais – mesmo que ele não conheça o artista. Ele não se importa de pagar uma taxa de conveniência escorchante para comprar esse ingresso da maneira mais barata para quem lhe vendeu – pela internet.
E o PICMB detesta ler. Comprou “50 Tons” para a mulher. E um livro de autoajuda para si mesmo. Mas agora que a novela está boa ficou difícil achar tempo para ler.

Quer saber de onde vem nossa postura estupida mesmo escolarizado?

                                                                        

terça-feira, 29 de março de 2016

Salvando o Capitalismo dos Capitalistas- Universidade de Chicago

                                                                             



“As pessoas do mesmo ramo raramente se reúnem, mesmo para o lazer e a confraternização, sem que a conversa acabe numa conspiração contra o público ou em alguma manobra para aumentar os preços.” (Adam Smith)


Quando falamos em capitalismo, automaticamente vem à mente de muita gente a imagem dos grandes e poderosos empresários, que controlam amplo poder político em suas mãos. No entanto, este tipo de “capitalismo” não se parece nada com o capitalismo de livre mercado, defendido por nós da corrente liberal. Ele está muito mais para um “capitalismo de relacionamentos”, onde o setor público e o setor privado desfrutam de uma ligação simbiótica. Para ajudar a salvar o verdadeiro capitalismo destes “capitalistas”, os economistas da Universidade de Chicago, Raghuram Rajam e Luigi Zingales, escreveram o livro Salvando o Capitalismo dos Capitalistas, uma defesa bastante pragmática do livre mercado como meio para se criar mais riqueza e ampliar as oportunidades. Para os autores, o maior inimigo do capitalismo não são os exaltados socialistas e sindicalistas, mas estes que se dizem capitalistas enquanto conspiram contra a livre concorrência.



Os economistas deixam claro que o sistema de livre mercado é a forma mais eficaz de organizar a produção e distribuição dos bens e serviços na sociedade. São fervorosos defensores do mercado financeiro também, como uma “ferramenta extraordinariamente eficaz para difundir oportunidades e combater a pobreza”. Um mercado financeiro sadio é fundamental para manter vivo o processo da “destruição criadora”. Os autores afirmam: “Sem mercados financeiros vibrantes, inovadores, a economia inevitavelmente se petrificaria e declinaria”. Afinal de contas, muitos possuem boas idéias, mas não conseguem acesso a financiamentos. A falta de recursos para financiar as idéias é o principal empecilho no caminho da riqueza, e eis justamente o que um mercado financeiro sofisticado atende. O desenvolvimento do mercado financeiro difunde a disponibilidade de capital, aumentando a força do ser humano em relação aos donos de capital. A intensa competição entre investidores de risco nos Estados Unidos é o maior aliado dos empreendedores, que costumam encontrar capital disponível para financiar seus projetos inovadores.



Exatamente por isso o desenvolvimento do mercado financeiro encontra fortes barreiras naqueles que pretendem preservar o status quo. Os já estabelecidos preferem manter o poder, naturalmente. E eles se sentem ameaçados pelos mercados livres, que garantem maior acesso aos demais, nivelando as oportunidades. Basta pensar o que Michael Dell, um sujeito com uma boa idéia que abandonou a faculdade, representou para uma grande firma já estabelecida como a IBM. Mas, como lembram os autores, “para que os livres mercados competitivos possam se desenvolver, o primeiro passo é que o governo respeite e assegure os direitos de propriedade até dos cidadãos mais fracos ou indefesos”. Historicamente, a maior ameaça vem do próprio governo e sua voracidade.



Quando os grandes privilegiados com o status quo se unem ao governo, as resistências ao desenvolvimento do livre mercado ficam fortes demais. A única esperança nesse caso vem de fora. Logo, “o comércio exterior e os fluxos transnacionais de capital expõem as empresas estabelecidas num país a uma vigorosa concorrência vinda de fora”. Os países são então forçados a fazer o necessário para tornar a economia mais competitiva. De modo geral, isso pode implicar um fortalecimento das instituições necessárias para os mercados internos. 



Um risco sempre presente para o livre mercado está nos perdedores com a concorrência. Esses destituídos encontram incentivos para se organizar e obter proteção do sistema político. Suas demandas costumam superar os subsídios, voltando-se contra o próprio sistema econômico que os levou a tal situação. Essas demandas coincidem com os desejos dos capitalistas estabelecidos.Quando os despossuídos se organizam espontaneamente”, os autores lembram, “os políticos profissionais e os partidos tentam cooptar essa energia para seus próprios objetivos eleitorais”. Segundo os autores, “para impedir que a política trabalhe contra o mercado, é preciso auxiliar os que perdem na concorrência, não para continuar uma batalha perdida mas para minorar sua dor e prepará-los para um futuro melhor”. Ou seja, uma rede básica de proteção, de preferência permitindo o investimento na adaptação da nova realidade, representa uma importante medida para a sobrevivência do capitalismo. O importante é preservar o dinamismo da livre concorrência e sua conseqüente “destruição criadora”.



Para os autores do livro, o governo tem um papel importante a desempenhar, auxiliando na construção da infra-estrutura necessária para o bom funcionamento do livre mercado. Eles entendem os riscos da captura do governo por parte dos poderes estabelecidos, e defendem mecanismos descentralizadores para mitigar este risco. No entanto, afirmam que “a falta de regulamentação pode ser uma proteção e uma barreira à entrada tanto quanto o excesso de proteção ou uma proibição explícita à entrada!”. Um governo que determina certas regras básicas de transparência, por exemplo, pode ajudar na preservação do livre mercado. 



O maravilhoso mecanismo de livre mercado se depara com poderosos inimigos, dentre eles justamente aqueles que afirmam defender o capitalismo enquanto buscam, através do governo, barrar a concorrência. O capitalismo liberal cede lugar ao “capitalismo de relações” nesses casos, com uma espécie de “concorrência administrada”. Este sistema não permite nem substanciais inovações nem a necessária destruição. Além disso, não conta com a imparcialidade na alocação de recursos, já que as regras para distribuir prêmios ou castigos se tornam totalmente arbitrárias. Os recursos e recompensas acabam não com os mais eficientes, mas com os poderosos interesses estabelecidos, os “amigos do rei”. A retórica do interesse público muitas vezes oculta esse auto-interesse das ações contra o mercado.



Para os autores, o tema principal do livro “é que o livre mercado, talvez a instituição econômica mais benéfica que a humanidade conheceu, repousa sobre alicerces frágeis”. Faz-se necessário fortalecer tais alicerces. Como principal receita, temos a lembrança de que “a maneira mais efetiva de reduzir o poder dos interesses estabelecidos no que se refere a influências sobre a legislação é manter os mercados internos abertos à concorrência internacional”. Abraçando a globalização e mantendo um mercado financeiro bastante aberto, estaremos forçando uma busca pela eficiência e, com isso, salvando o capitalismo dos “capitalistas”, muitas vezes os maiores inimigos do livre mercado.
                             45 nações representam 90 % da riqueza do mundo                        
                                                                            

quarta-feira, 23 de março de 2016

O PT sequestrou o Brasil


                                          Resultado de imagem para A agenda economica do PT é um fracasso.


Uma pergunta que foi feita várias vezes durante a campanha era sobre a razão do mercado desabar toda vez que as pesquisas mostravam a vitória do PT. Pela lógica a reeleição da presidente petista implicaria na manutenção das políticas econômicas de forma que se a economia não melhorasse pelo menos não deveria piorar. É verdade, mas o governo Dilma levou a economia a uma situação tão esdrúxula Como chegamos a esse ponto é a primeira pergunta que devemos responder se quisermos sair dessa situação.

Para dar a resposta será preciso recuperar a história de como chegamos onde estamos e o que deu errado no governo petista (o que deu certo deixo para os marqueteiros do governo anunciarem). Voltemos à década de 1980. Os anos do regime de 9164 ( ciclo militar) deixaram o país em uma crise política e econômica. Nos anos finais do regime a economia parou de crescer, a inflação saiu de controle, a concentração de renda tinha aumentado de forma considerável, as instituições estavam desacreditadas e o país devia o que tinha e o que não tinha para o resto do mundo. O primeiro desafio era recriar um conjunto de instituições democráticas que servissem de base para a reconstrução do país. Em condições normais esta já seria uma tarefa difícil, mas o destino fez ficar ainda mais difícil. Tancredo Neves, depositário da confiança popular e símbolo da resistência democrática à ditadura, morreu nas vésperas de tomar posse como Presidente da República. Em seu lugar entrou José Sarney, um político sem apelo popular na maior parte do país e fortemente identificado com o apoio civil à ditadura.

Sarney

Talvez por conta da fragilidade política Sarney resolveu apostar todas as fichas em alternativas heterodoxas para estabilizar a economia sem recorrer a apertos monetários e/ou fiscais o que seria o caminho correto. Como não podia deixar de ser a tentativa começou bem, mas rapidamente deu errado e jogou o país em uma crise ainda maior. Pior, os seguidos ministros da área econômica de Sarney se recusaram a abandonar a receita de choques heterodoxos, a cada choque a situação ficava ainda pior. Se do ponto de vista econômico o governo Sarney foi um desastre o mesmo não pode ser dito do ponto de vista político e institucional. Bem ou mal, talvez mais mal do que bem, foi promulgada uma Nova Constituição que serviu de base para a reconstrução do Estado brasileiro. O governo Sarney falhou miseravelmente na economia, mas talvez tenha tido sucesso no que era mais importante à época: viabilizou os fundamentos de nossa democracia.

De posse de uma Constituição e das sementes da nova ordem democrática o próximo passo era arrumar a economia. Collor começou com uma tentativa ainda mais desastrada que a de Sarney, não bastasse intervir nos preços, o infame Plano Collor destruiu a credibilidade do setor público e comprometeu a do mercado financeiro ao “alongar compulsoriamente” os prazos dos títulos da dívida pública e até mesmo de depósitos à vista em bancos comerciais. O desastre econômico veio junto da crise política que pôs fim ao governo Collor, mas não às recém criadas instituições democráticas. A Constituição sobreviveu à queda do governo, fato que com muita justiça foi comemorado à época. Itamar ficou com a tarefa de estabilizar a economia. A esta altura o Brasil já tinha tentado todas as formas possíveis e imaginárias de choques heterodoxos e todos tinham fracassados, a saída foi tentar algo mais ortodoxo, o que foi um sábia decisão Não sem alguma ironia vários economistas que estiveram à frente das tentativas heterodoxas se converteram e acabaram responsáveis pelo ajuste ortodoxo (outros tantos até hoje insistem em tratamentos heterodoxos).

O ajuste ortodoxo a que me refiro é o conhecido Plano Real. Em linhas gerais o plano seguiu a receita de Thomas Sargent em um texto clássico chamado “The End of Four Big Inflations”. A moeda “doente” foi substituída por uma nova moeda sem choques e sem surpresas, principalmente sem congelamentos de preços. A nova moeda estava presa ao dólar americano como forma de passar confiança à sociedade. Lamentavelmente não foi feito o ajuste fiscal necessário, apenas foi feito o ajuste possível. Na virada de 1998 para 1999 a falta do ajuste fiscal cobrou seu preço a os fundamentos do Plano Real entraram em crise, em particular o controle do câmbio ficou impossível. O resgate veio com uma nova estrutura de política econômica que ficou conhecida como Tripé Macroeconômico. O tripé consistia em metas de inflação, ajuste fiscal duradouro e câmbio flutuante. As duas tentativas de estabilização, Plano Real e Tripé Macroeconômico, acabaram por tomar os dois mandatos de FHC, porém a estabilização foi feita. Faltava resolver os problemas sociais e retomar o crescimento.


A transição de FHC para Lula colocou em cheque a estabilização, de forma astuta o PT sustentou o que sempre criticou, o compromisso do novo governo com o Tripé Macroeconômico, o que  acabou convencendo o mercado que a volta das aventuras da década de 1980 estava descartada. De certa forma a transição de FHC para Lula foi para a estabilização da economia o que a queda de Collor foi para as intuições democráticas – nos dois casos o Brasil passou no teste de fogo. Se a garantia da solidez das instituições democráticas permitiu a Itamar e depois FHC se dedicarem à estabilização, a garantia da estabilização permitiu a Lula dedicar seu governo ao combate à pobreza e à redução da desigualdade ou à retomada do crescimento. Como era de se esperar, Lula escolheu as questões sociais – os programas sociais foram expandidos e houve redução da desigualdade e da miséria. O desafio do combate à pobreza não foi vencido, talvez nunca seja, mas foi muito bem encaminhado. O segundo mandato de Lula seria dedicado ao crescimento. Ao contrário da estabilização, onde Lula apostou em políticas convencionais, a estratégia de crescimento do ex-metalúrgico era uma retomada das políticas do passado. O governo de plantão direcionaria o investimento para áreas que considerasse estratégicas e escolheria empresas campeãs nacionais amigas para puxar o resto da economia. Porém, em 2008, veio a crise financeira e o governo Lula foi obrigado a mudar as prioridades; o objetivo passou a minimizar os efeitos da crise no Brasil. O desafio do crescimento ficaria para o próximo presidente.

Dilma tomou posse como a presidente do crescimento e nos primeiros anos de governo chegou a afirmar que seria lembrada como a “presidenta do PIBão”. Para estimular o crescimento Dilma reforçou a aposta nas políticas ensaiadas no segundo mandato de Lula. O estado indutor do crescimento proposto por Lula com Dilma se tornou o velho Capitalismo de Estado. Projetos ambiciosos (lembram do trem-bala?), recursos sem fim para o BNDES e controle de preços passaram a ser lugar comum na política econômica. Quando a agenda do crescimento entrou em conflito com o Tripé Macroeconômico a presidente não teve dúvidas em sacrificar o segundo. No lugar do tripé entrou a Nova Matriz Macroeconômica de inspiração heterodoxa. Câmbio controlado para ajudar a indústria local no lugar de câmbio flexível, política monetária voltada mais para manter o emprego do que para controlar a inflação com tentativas de reduzir juros na marra entrou no lugar do regime de metas de inflação e a contabilidade criativa substituiu a política de ajuste fiscal. A bem da verdade devo dizer que essa última substituição não tem inspiração heterodoxa – não conheço nenhuma teoria econômica que recomende expandir o gasto público e esconder a expansão com truques contábeis.


A combinação da Nova Matriz Macroeconômica com as políticas desenvolvimentistas de meados do século XX gerou um crescimento próximo de zero e uma inflação acima de 6% ao ano. Tudo piorado por um governo que em vez de reconhecer o erro e mudar de rota, como Lula fez quando trocou o Fome Zero pelo Bolsa Família, aprofundava no erro a cada vez que se sentia questionado. Os poucos sinais que estaria disposto a mudar de rota foram fracos e acabaram se dissipando. O governo Dilma não apenas falhou em retomar o crescimento da economia como ainda comprometeu a estabilização. Foi assim que chegamos em uma estranha situação onde a manutenção do governo faz o mercado desabar. Se é possível reverter esta condição? Claro que sim, mas esta agenda tem que ser substituída por outra e não será fácil  que o PT sequestrou o Brasil para si. 
                                                                            

terça-feira, 15 de março de 2016

O monstruoso erro do PT e da esquerda croissant.

                                     

    Lá se vão cem anos em que a propaganda passou a ser um instrumento político fundamental, seja para ganhar eleições, seja para os governos conquistarem apoio, seja para os políticos projetarem suas legítimas ambições de ascensão. Nesses cem anos, uma máxima afirmou-se como sabedoria desse processo e passou a pautar os profissionais da propaganda política.
Se é verdade que não há um bom governo sem uma boa propaganda, também não há uma boa propaganda sem um bom governo”. Os governos podem ser objetivamente bons, mas se não conseguem comunicar adequadamente o que têm feito pela população, podem ter uma opinião pública desfavorável. Mas nos últimos 50 anos, a massificação pela TV, a especialização dos publicitários em campanhas eleitorais, divulgação dos governos e comunicação da oposição, surgiu o apogeu do chamado marketing político.
A sofisticação crescente das técnicas usadas no marketing político produziu um grave equívoco, querendo contrariar a máxima básica entre bom governo e boa propaganda. Os (chamados) marqueteiros foram convencendo os políticos que bastava uma boa propaganda para que as imagens dos políticos e dos governos junto à opinião pública fossem construídas independentemente das ações e dos fatos efetivos.
Ou seja, que através do marketing político se poderia construir a opinião das pessoas, descolada da realidade dos governos. Os governos passaram a derramar bilhões ( nossos impostos claro) em propaganda para tornar a avaliação de seus governos descolada das performances dos mesmos e dos interesses da população.
A contratação de um publicitário de grande qualidade, Duda Mendonça, pelo PT na eleição presidencial de 2002, produziu essa ilusão de ótica para o PT e Lula. Com o mensalão e o afastamento de Duda Mendonça, seu parceiro João Santana veio a substituí-lo e constituiu-se a fórmula do governo imbatível: uso ilimitado de dinheiro e uso ilimitado da propaganda. E exportou-se para seus aliados, todos bolivarianos socialistas na América Latina.
Essa fórmula está na raiz do mensalão e do petrolão: os meios publicitários e financeiros justificam os finspermanecer indefinidamente no poder. Essa fórmula gerou uma espiral de necessidades e para abastecê-las, dinheiro extraído dos fornecedores do governo, e compensado por sobre-preço.lembrando que governos não geram riquezas, e seus compromissos são honrados com nossos impostos.
O uso dessa fórmula pode até prorrogar a vida útil de um governo reduzindo a percepção pelas pessoas dos erros e da mediocridade. Mas há um limite, quando o fracasso governamental se espalha e passa a ser percebido pela população diretamente, pelos trabalhadores, empresários, profissionais, etc., atingidos pelo desastre governamental. A tentativa de insistir na fórmula propaganda e corrupção para continuar governando se exaure e volta por cima do governo como uma erupção vulcânica.
Manter o poder cada vez mais e -até exclusivamente- via propaganda e corrupção tem um alto preço. É um equívoco imaginar que quando da implosão do governo haverá seu tempo para a alternância no poder. Vide Itália e Mãos Limpas: projeta-se para um prazo muito, muito longo. Se é que tem volta.
Aqui na América do Sul vivemos uma conjuntura que demonstra cabalmente essa situação: Brasil e Venezuela são irmãos gêmeos no fracasso, no abuso da propaganda e nos desvios de impostos pagos por todos os cidadãos..A morte deles não tarda, eles irão morrer historicamente.
                                                                           

Lula primeiro ministro, Dilma boneca velha abandonada e uso populista das reservas.

                                                                                     


Por que o Brasil não utiliza as reservas internacionais para financiar investimentos públicos em infraestrutura?

Porém, usar as reservas internacionais como quer o louco do Lula e destrambelhada da Dilma para financiar esses investimentos não é uma boa opção. Isso equivaleria, em última instância, a financiar os gastos por meio de endividamento público. Financiar investimentos com endividamento não é, a princípio, uma opção ruim. Mas fazê-lo por meio do uso das reservas internacionais geraria efeitos colaterais indesejáveis: no curto prazo, haveria valorização da moeda nacional em relação ao dólar. Isso geraria impacto negativo sobre as exportações e sobre a competitividade das indústrias nacionais em relação a produtos importados. Em ambos os casos haveria perda de empregos no país. No médio prazo haveria mais inflação.
Pode-se fazer investimento público via endividamento do Tesouro sem necessidade de se mexer nas reservas internacionais e sem provocar esses efeitos colaterais indesejados.
Para entender essa questão, vamos partir de uma constatação básica: o setor público brasileiro tem déficit nas suas contas. Ou seja, gasta mais do que arrecada em impostos que ja é 40 % do PIB. Um indivíduo que, todo mês, gaste mais do que recebe em salários não pode acumular poupança na sua conta bancária. Da mesma forma, o governo não pode acumular mais de R$ 200 bilhões em poupança se não arrecada o suficiente para pagar as contas do mês.
De onde, então, vem o dinheiro para comprar as reservas internacionais? Vem de endividamento público. O setor público brasileiro toma dinheiro emprestado no mercado financeiro nacional para comprar as reservas internacionais e quem empresta somos nós via títulos públicos ( fundos de renda fixa) que remunera 14,25%. Logo, essas reservas não constituem uma “riqueza legítima” acumulada pelo governo. Elas são, simplesmente, a contrapartida de uma dívida. Se o governo gastar o dinheiro das reservas para fazer investimentos, restará uma dívida a ser paga. Portanto, em última instância, os investimentos públicos em infraestrutura terão sido financiados por endividamento público.
Fica, então, outra dúvida: se o governo não consegue poupar (gastando mais do que arrecada), por que ele pega dinheiro emprestado para comprar reservas internacionais? Não é racional, para uma família que tem um buraco mensal em seu orçamento, pegar dinheiro emprestado e colocá-lo na poupança. Logo, não parece ser racional que o governo aja dessa forma.
Ocorre que o governo compra reservas internacionais com dois outros objetivos: evitar que o real se valorize excessivamente em relação ao dólar (e demais moedas internacionais) e garantir que o Brasil tenha uma reserva de dólares para fazer suas compras no exterior.
Basicamente, se o real se valorizar demais os produtos brasileiros ( fruto de impostos indiretos,incompetência empresarial, baixa produtividade etc)(  ficarão caros no exterior, o que prejudica nossas exportações. Se os exportadores perdem mercado, haverá redução na oferta de emprego nas empresas brasileiras dedicadas à exportação. Por outro lado, os produtos importados ficam baratos, como consequência a inflação cai beneficiando os consumidores ja que equilibra a oferta, em relação àqueles produzidos no Brasil. As empresas que produzem no Brasil passam a gerar menos empregos.e dai, se o empresario é incompetente tem desaparecer oras.
Um outro motivo para se acumular reservas em dólares é que se faltarem dólares disponíveis no Brasil, os brasileiros não terão acesso ao meio de pagamento normalmente utilizado para fazer compras no exterior. Mesmo que os brasileiros tenham reais em mãos para fazer compras, eles não poderão adquirir mercadorias importadas, pois os reais não são aceitos como meio de pagamento na economia internacional. Logo, o acúmulo de reservas internacionais também funciona como um “seguro”, pois representa uma reserva de dólares para o caso de alguma crise econômica interromper o fluxo normal de dólares para o país.
Vejamos, agora, o que aconteceria se o governo como que Lula e Dilma resolvesse usar o dinheiro das reservas internacionais para financiar investimentos em infraestrutura no País. Para isso, ele teria que trazer os dólares que estão aplicados no exterior, convertendo-os em reais, para poder comprar cimento, ferro, asfalto, máquinas e pagar salários dos operários e engenheiros que farão as obras de infraestrutura. Logo, haveria forte entrada de dólares no País, fazendo com que o real se valorizasse.
Ora, se o governo acumula reservas justamente para evitar a valorização da moeda doméstica, trazer esses dólares para financiar investimentos no País significaria desistir da política de evitar tal valorização; com as consequências negativas sobre a oferta de emprego no país, como já descrito acima.
Um segundo efeito colateral seria o aumento do endividamento público líquido e, provavelmente, da inflação.
Quando o governo se endivida para comprar dólares ele ao mesmo tempo aumenta o seu passivo (pelo aumento da dívida interna) e o seu ativo (pela compra de dólares). Isso significa que a dívida líquida (passivo menos ativo) não se altera.
Se o governo decidir vender as reservas (um ativo) para financiar uma despesa (o investimento em infraestrutura) a dívida líquida vai aumentar, pois o governo terá se desfeito de um ativo (as reservas)  e o seu passivo (a dívida pública) terá ficado do mesmo tamanho.
Mas se os investimentos em infraestrutura representam, de fato, um ativo do Tesouro, porque eles não são deduzidos para fins de cálculo da dívida líquida? Se isso fosse feito, não haveria aumento na dívida. Ocorre que os investimentos em infraestrutura não têm a mesma liquidez que títulos do Tesouro ou dinheiro. Da mesma forma que se diz que um indivíduo se endividou para comprar um carro, diz-se que o governo se endividou para fazer obras. O indivíduo até pode argumentar que a sua situação patrimonial não mudou, pois o valor do carro compensa o valor da dívida. Mas sabe-se que o carro se deprecia ao longo do tempo (assim como os investimentos do governo) e que não tem liquidez imediata (se o indivíduo precisar vender o carro para pagar a dívida, terá dificuldade ou precisará aceitar um desconto no preço).
Aumentar a dívida para fazer investimentos não é necessariamente ruim. É um recurso legítimo. Assim como o carro presta um serviço ao indivíduo, o investimento em infraestrutura presta um serviço ao País (facilitando o crescimento econômico e gerando mais renda). Por isso, se o valor da nova renda que o investimento em infraestrutura trouxer para o País for maior do que os juros a serem pagos sobre a dívida, vale a pena fazer o investimento.
Mas o fato concreto que importa ressaltar é que o uso das reservas internacionais não é uma solução mágica para expandir os investimentos em infraestrutura. Em última instância, estará havendo um aumento do endividamento público para fazer tais investimentos. Logo, seria mais fácil financiar os investimentos diretamente via emissão de títulos, sem a complicação de se mexer com as reservas.
Se não traz nenhuma vantagem, esse procedimento pode trazer muitas desvantagens. A primeira delas, a valorização do real, já foi analisada acima. A segunda possível desvantagem é o aumento da inflação.
A conversão das reservas internacionais em reais e o uso desses reais para a compra de cimento, mão-de-obra, ferro e demais insumos necessários aos investimentos em infraestrutura significará um aumento da quantidade de dinheiro nas mãos dos indivíduos que venderem esses insumos ao governo. Os indivíduos que obtiveram emprego ou aumento de salário devido à maior demanda do governo por engenheiros e trabalhadores vão consumir mais; as empresas que executaram contratos de construção vão aplicar seus lucros em novos investimentos. E esse estímulo ao consumo tende a  ressionar os preços, elevando a inflação.
Se, em vez de financiar os investimentos públicos repassando reservas internacionais ao setor privado, o governo tivesse reduzido os seus gastos correntes e formado uma poupança, os efeitos expansionistas acima descritos (aumento de consumo pelas empresas e famílias) seriam compensados pela redução do consumo do governo. E os preços não aumentariam, pois o que o setor privado consumisse a mais seria compensado por um consumo menor do governo.
Em resumo, usar reservas internacionais para financiar investimentos públicos em infraestrutura não é um passe de mágica. Tal operação significa que, no caso brasileiro, cujo orçamento já é deficitário, esses investimentos serão financiados por aumento da dívida líquida do setor público.
Como desvantagem adicional, aumenta a vulnerabilidade do País a uma eventual crise de escassez de divisas internacionais: a venda das reservas significa abrir mão de um seguro em termos de liquidez internacional.
Pode-se até argumentar que as reservas internacionais passaram do montante necessário para garantir o acesso dos brasileiros a moedas de curso internacional e que custa caro manter as reservas (pois a sua remuneração, ao se aplicar os dólares no mercado financeiro internacional, é mais baixa do que os juros que o governo paga ao tomar empréstimos no País). Mas essa é uma outra discussão, que se refere ao que fazer na gestão dos dólares que entram no País. E que nada tem a ver com o outro problema, que é o de como financiar os investimentos em infraestrutura.
Para solucionar o problema da falta de investimentos em infraestrutura é preciso, em primeiro lugar, reduzir os gastos correntes do governo, para sobrarem mais recursos a serem investidos. Em segundo lugar, é preciso criar condições legais favoráveis ao investimento privado em infraestrutura, mediante privatizações e concessões de serviços públicos (aeroportos, estradas, ferrovias, portos, etc.). Isso abre uma ampla agenda: fortalecimento das agências reguladoras, superação do preconceito contra privatizações, ampliação das garantias contratuais dos investidores privados (para que o governo não confisque seus investimentos), melhoria da capacidade do governo para planejar investimentos, etc.Tudo que a esquerda caviar brasileira não quer.