terça-feira, 21 de junho de 2016

Porque os EUA são ricos e o Brasil continuará a ser pobre.

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Diferenças de mentalidade entre norte-americanos e brasileiros (ou: porque os EUA são um país rico, e o Brasil, um país pobre)

“Realmente a noção de mês para uma criança equivale à eternidade. Meu filho de 12 anos recebe uma mesada atrelada à lavagem da louça (1 por dia, geralmente do café da manhã) e de seu comportamento, mensalmente, e está ok pra ele, mas o meu de 4 anos (que só recebe brinquedos se recolhê-los) pensa que sábado é a 15 minutos da loja rsrsrs.… pena que para os brasileiros lavar a louça ou lavar o carro são tarefas de pessoas despreparadas. Admiro muito isso nos americanos e penso que isso é a base do empreendedorismo! (destaque por minha conta)”.
Esse lúcido comentário me fez relembrar quais são os motivos que fazem os EUA serem um país rico – e que continuará sendo rico (a despeito da última crise financeira) – e o Brasil ser um país pobre – e que continuará sendo pobre (por favor, não me venham com manifestações de complexo tupiniquim, a menos, é claro, que haja uma verdadeira transformação de mentalidade e cultura, que geralmente (e infelizmente) leva décadas para ocorrer…
Certamente, esses motivos não explicam toda a diferença entre um país e outro, mas explicam um punhado de coisas. E isso porque eles deitam raízes na mentalidade, e a mentalidade, como sabemos, é a base para os comportamentos, ou seja, para as ações no mundo prático.
Trabalho e empreendedorismo
No Brasil, o trabalho, via de regra, é visto como algo penoso. Tá, isso também pode ser verdade em outros países. Mas é como a Gisely disse acima: “pena que para os brasileiros lavar a louça ou lavar o carro são tarefas de pessoas despreparadas. Admiro muito isso nos americanos e penso que isso é a base do empreendedorismo!” Não tenho como concordar mais com essa frase.
Será que Warren Buffett teria, no Brasil, algum êxito, caso, na mais tenra infância, quisesse trabalhar como entregador de jornais, como ele fez nos Estados Unidos (e está magnificamente registrado na biografia “Bola de Neve”)? Dificilmente. Engraçado que as lotéricas brasileiras vivem cheias de filas em épocas de Mega Sena acumulada. Agora, preocupar-se em educar-se financeiramente, ah, para isso nunca existe fila! Na verdade, as pessoas têm até vergonha, receio, medo e preconceito de falar de dinheiro. As pessoas brasileiras. É duro dizer isso, mas é a realidade. Se tiver ainda alguma dúvida, confiram nesse post: Na Internet, é uma beleza! Mas, na vida real… ah, na vida real, como é difícil conversar sobre finanças com as pessoas… É como oJônatas afirmou, num ótimo post no blog Efetividade, sobre a tão propalada e emergente “classe C brasileira”:
“O que a classe C precisa, e cabe ao governo tal incentivo, é gastar mais em educação. O aumento de renda deve ser gasto para aumentar a base cultural da família e proporcionar constantes e sustentáveis aumentos da renda. Afinal, ganha mais quem conhece mais.
Eu nunca vi alguém dizendo que com o aumento da renda pôde adquirir mais livros, realizar cursos e participar de seminários. Também nunca vi alguém falando em investir parte da renda adicional, em economizar hoje pensando no amanhã”.
Eis aí um dos motivos pelos quais ser empreendedor no Brasil é tão difícil. Porque falta base, falta educação de qualidade dirigida aos negócios, falta maior debate sobre troca de experiências, porque falta um cultura onde se valorize o empreendedorismo, ao invés de penalizá-lo, com tributos escorchantes e falta de incentivos vinda de todos os lados (a começar pelo seu vizinho, amigo ou parente mais próximo). Será que o brasileiro Eduardo Saverin teria alguma chance se tivesse estudado no Brasil? Com todo respeito que merecem as melhores universidades brasileiras, no way (obs.: Eduardo Saverin foi um dos co-fundadores da rede social Facebook, criada, aliás, no quarto de um estudante de Harvard). Mas a culpa disso, como vocês já devem ter sacado, não é das universidades brasileiras. É da mentalidade (infelizmente) (e ainda) reinante no Brasil.
Doações
Esse talvez seja o ponto mais crítico e mais distintivo entre as duas culturas, a americana e a brasileira. Enquanto nos Estados Unidos se valoriza uma prática onde as doações desempenham papel fundamental na construção de riqueza, e onde os ricos e milionários se orgulham de fazer doações de quantias astronômicas, no Brasil, as doações são relegadas a segundo plano (quando não são vistas com preconceito e motivo de chacota).
Quer ver um sintoma disso?
Existe um famoso escritor brasileiro de finanças pessoais (não vou citar nomes), que chega ao absurdo de dizer que você, caro leitor, não deve, sob hipótese alguma, fazer doações durante sua vida. As doações só devem ter como fonte os rendimentos obtidos de sua renda passiva, ou seja, de seus investimentos. E ele fala isso sob o argumento de que as doações de parte do salário prejudicarão seu plano de independência financeira e construção de riqueza.
Se fôssemos levar esse pensamento às últimas consequências, não eram só as igrejas que não teriam sobrevivido, mas também importantes hospitais que fazem tratamento de pessoas com câncer, orfanatos e creches que recebem crianças e bebês abandonadas pelos pais, instituições filantrópicas que cuidam de pessoas portadoras de necessidades especiais, asilos que recebem pessoas de terceira idade abandonadas pelas suas respectivas famílias, instituições de caridade que mantêm programas de tratamento e reabilitação de pacientes que não têm condições de arcar com os custos de sua recuperação de saúde, como APAES, AACDs…
E aí, caro leitor, é dessa forma que você quer encarar seu dinheiro? É seguindo esse conselho do tipo egoísta dado por esses especialistas? E se for o seu filho/mãe/irmão justamente a precisar dos serviços de um desses estabelecimentos que só sobrevivem graças à ajuda de doações de parte de salário? Como é que fica?
Lembre-se: quem fecha a mão para as doações é pessoa controlada pelo dinheiro. É um escravo do dinheiro. Aquilo que te liberta é também o que te aprisiona. Pessoas que entendem o valor das doações sabem perfeitamente a função do dinheiro. Elas o controlam, ao invés de se deixarem ser controladas por ele. Conhecem a lei da reciprocidade? Tudo o que você faz retorna para você. Ser mão fechada com o dinheiro tem um custo, e ele será cobrado de você nos momentos mais inapropriados. É a lei do retorno. É por acaso sendo egoísta, no plano individual, que se constrói, no plano coletivo, o valor da solidariedade? Normalmente, só compreendemos o valor da solidariedade quando precisamos dela, e não quando ela precisa de nós, e nós, tendo condições, simplesmente ignoramo-asAproveite enquanto é tempo, antes que o egoísmo venha até você cobrar seu preço.
Nesse controverso assunto, eu sou mais adepto da opinião compartilhada por outro especialista, educador financeiro no sentido exato do termo, de “educar”, e não ‘deseducar”, financeiramente as pessoas, e que costuma aparece no programa Elas & Lucros, o Mauro Calil. O Mauro é a favor das doações, é a favor dos dízimos, é a favor das contribuições voluntárias, de parte do salário. Eu estou com ele. Dinheiro vai e vem, mas as consequências do que se faz com ele permanecem para sempre, e aparecem concretamente na vida das pessoas.
No Brasil, com raras e honrosas exceções, os ricos e milionários não aparecem por causa de suas doações e causas nobres, mas por causa da ostentação de seus bens de consumo de luxo. Já nos Estados Unidos, por exemplo, o que faz Warren Buffett ser “o” cara… é outra coisa. Completamente diferente.
Longo prazo e comodismo
O filho brasileiro completou 18 anos? Ótimo, tome um carro (financiado), na garagem, pro rapaz. O filho norte-americano completou 18 anos? Beleza também, tome… tome uma carteira de ações para começar (ou reforçar, quem sabe) seu plano de aposentadoria.
A meta financeira principal do norte-americano é construir uma aposentadoria confortável. A meta financeira principal do brasileiro é garantir a casa própria.
O brasileiro médio preocupa-se mais com a casa própria do que com a aposentadoria porque acha que o INSS, o governo, a empresa ou a família irá lhe garantir o sustento no futuro. Não existe nada mais completamente errado. O maior responsável pelo seu futuro tem que ser você mesmo. Até quem é funcionário público está sentindo na pele que as mudanças estão sendo – e continuarão sendo – para pior. Primeiro, vieram com o fim da aposentadoria integral. Depois, resolveram tributar os inativos. O que virá a seguir? Existem vários projetos, esperando só o aval dos políticos para virarem lei (e não custa nada repetir que nosso time de políticos recebeu o reforço do Tiririca…). Coisas como estabelecer o teto do INSS para os benefícios do funcionalismo público, instituir contas individuais de previdência para os servidores públicos (como existe no Chile), onde o benefício é proporcional à contribuição individual, adiar a idade mínima da aposentadoria, aumentar o tempo de contribuição para 40 anos (homens) e 35 anos (mulheres), aumentar as alíquotas de contribuição para o PSS, são apenas algumas das medidas. E não, não acreditem nessa história de direito adquirido (vide a “taxação” dos inativos). Como, aliás, não devem acreditar em Papai Noel, Saci Pererê e Lobo Mau.
Enfim, sair da zona de conforto não é obrigação para ninguém. Trata-se apenas e tão somente de mera questão de escolha. Mas lembre-se: você é livre para escolher, mas não é livre das consequências de suas escolhas.
Conclusão: só se muda uma nação…
… quando se muda a mentalidade. Cabe a cada um fazer a sua parte. Eu estou fazendo a minha, alertando os leitores para que tenham um pensamento crítico a respeito do que se escreve e do que se faz por aí.
Quer mais um exemplo? Dizem que a abertura de capital das empresas na Bolsa de Valores está promovendo o crescimento econômico no Brasil, pois as empresas não precisam mais recorrer a empréstimos em bancos para financiar suas atividades. Mas até que ponto as tais IPOs trouxeram benefícios concretos a você, caro consumidor/cliente dessas mesmas empresas? Por acaso o banco que fez IPO na Bovespa, e do qual você tem conta, baixou as tarifas bancárias e as taxas de administração de seus fundos? Ou, ao contrário, resolveu aumentá-las? Por acaso a empresa da qual você tem plano de saúde/odontológico/seguro de vida, que abriu capital na Bolsa, diminuiu o valor da mensalidade de seu plano de saúde ou de seguro? A cia. aérea/programa de fidelidade que estreou ações na Bolsa está facilitando o resgato de pontos ou o barateamento das viagens? Ficam as reflexões…
As empresas que abrem capital na Bolsa se deparam com um dilema, pois, para mostrar resultados para os acionistas, muitas vezes, são obrigadas a tomar atitudes que prejudicam seus clientes. A começar pela própria Bovespa, que resolveu instituir um monte de tarifas (custódia mensal, custódia anual etc.), que simplesmente não existiam enquanto era uma associação civil sem fins lucrativos…
Temos que mirar nos bons exemplos, naquilo que funciona e que agrega valor às nossas vidas. Por isso que, a despeito de todas as dificuldades, eu prezo, por exemplo, por trazer resenhas de livros norte-americanos de finanças pessoais e investimentos, ao invés de ficar na mesmice de muitas publicações brasileiras (algumas que nem deveriam estar na lista de best sellers, mas, enfim, como “em terra de cego quem tem um olho é rei”, as pessoas se aproveitam da desinformação e ignorância dos outros e o resultado está aí, lamentável…).
Que tenhamos disposição para sermos agentes de mudança, e não expectadores passivos da manutenção das coisas como elas se encontram. 
É isso aí!
Um grande abraço, e que Deus os abençoe!
                                                    

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Porque o Capitalismo de Estado faliu no Brasil?

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A falência do Capitalismo de Estado no Brasil

“O capitalismo nos fornecerá a corda com que o enforcaremos.” – Vladimir Lenin

Desde que o Partido dos Trabalhadores assumiu a presidência da república no ano de 2003, adotou uma prática comum nos países emergentes: a prática do Capitalismo de Estado. Mas o que é afinal esse tal de Capitalismo de Estado?
Capitalismo de Estado é nada mais que o financiamento público ( uso de nossos impostos) a empresas privadas, buscando que essa empresa se torne uma campeã nacional em sua área, ignorando a livre concorrência e o direito de escolha do consumidor. Essas empresas vivem de lobby em busca de financiamento estatal para as suas ações, que no caso brasileiro vem por investimento via BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e de vitórias em licitações.
Desde 2003 vêm pipocando campeãs nacionais em diversos setores. Graças à mão estatal e ao lobby, temos capitalismo de estado desde lojas de varejo a grandes empreiteiras. De frigoríficos a empresas de tecnologia e times de futebol. E o primeiro caso vem do início do governo Lula.
O governo instaurou o programa “Computador Para Todos”, que buscava baixar os preços via dedução fiscal para empresas brasileiras de tecnologia. E a maior beneficiada dessa política foi a Positivo Computadores. De uma pequena empresa, se tornou a gigante do setor de informática no Brasil. Tudo com a mão do governo e de empréstimos gordos do BNDES, e vem ganhando praticamente todas as licitações que envolvem compra de computadores no nosso país depois de 2003.
Depois desse primeiro caso de capitalismo de compadres, vem o segundo: com as grandes empreiteiras. Empresas como Delta, Andrade Gutierrez,OAS e a própria Odebretch ganharam muito poder depois de 2003 graças ao lobby feito em Brasília. Graças ao puxa-saquismo feito com as grandes esferas de poder, essas empresas ganharam milhões em empréstimos do BNDES e vários contratos de licitação de obras do governo. De estádios de futebol a rodovias.
Mas talvez o caso mais emblemático seja o de Eike Batista. O empresário carioca virou do dia para a noite o maior empresário brasileiro e um dos homens mais ricos do mundo com o seu conglomerado, o Grupo X. Graças também a muito lobby feito ao governo, ganhando dinheiro público para financiar as ações de seu grupo. Porém, uma hora se descobre tudo. Eike ganhou muito dinheiro com a especulação na Bolsa de Valores de um dos braços do Grupo X, que atuava no mercado petrolífero. Porém, os poços de petróleo explorados pelo grupo não tinham a capacidade que se achava ter, tendo cerca de 20% do que se dizia. Foi a morte do empresário criado pelo lobby do governo federal. O Grupo X foi à falência, Eike perdeu boa parte de seu patrimônio e hoje corre risco de prisão.
Esse modelo vem à falência graças à informação e ao renascimento das ideias liberais no Brasil. Muitas pessoas, principalmente da esquerda mais radical, dizem que o Capitalismo de Estado é o verdadeiro capitalismo, que as empresas buscam se aliar ao governo em prol de dinheiro e poder. Na verdade, é o contrário: esse formato é exatamente antiliberal, pois tal prática é contra a livre-concorrência, o empreendedorismo e a livre iniciativa. É contra a livre concorrência, pois a prática do capitalismo corporativista gera monopólios com as imposições geradas pós-benefício. Podemos perceber isso no exemplo do frigorífico JBS, dono das marcas Friboi e Swift; com os benefícios ganhos via lobby, acabou tomando cerca de 80% do mercado de carnes no Brasil.

O Capitalismo de Estado é contra o empreendedorismo porque gera burocracias que desmotivam o empreendedor a criar uma nova empresa e acabam por beneficiar quem já está ocupando aquele nicho de mercado, normalmente quem está sendo beneficiado pela mão estatal. E uma nação onde o empreendedorismo é desmotivado é uma nação que não cresce.


A Operação Lava Jato vem mostrando a falência desse modelo de economia, mostrando a simbiose entre o Governo Federal e empresas anti-mercado. Vemos políticos do alto escalão do governo e empresários poderosos indo para a prisão. Espera-se que mais pessoas envolvidas em crimes da operação sejam presas e se continue mostrando a nefasta união entre governo e empresas monopolistas. Como citado no início desse texto pela frase do bolchevique russo Lenin, os governos de agenda socialista buscam se aliar a esse tipo de empresa para depois matarem todo o capitalismo, seja ele livre ou de compadres.
                                                     

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Existe fórmula ideal para o financiamento de campanha?

Acabar com a doação de empresas a partidos reduz a corrupção - ou a aumenta por m
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Somos todos hipócritas”, bradou Paulo César Farias, num raro surto de sinceridade, ao ser questionado por congressistas, em uma CPI em 1992, se o ‘Esquema PC’ havia irrigado, por meio de caixa dois, a campanha de Fernando Collor três anos antes. Naquela época, eram proibidas as doações empresariais a campanhas políticas.
Após os escândalos, foi instituída em 1995 uma nova legislação que permitiu que empresas e pessoas físicas pudessem doar aos partidos. Os escândalos continuavam a aparecer: em novembro de 2000, por exemplo, o jornal Folha de S. Paulo publicou reportagem afirmando, com base em documentos, que a campanha à reeleição do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em 1998, recebeu R$ 10 milhões em doações por meio de uma contabilidade paralela.
O valor parece irrisório diante dos escândalos revelados pela operação Lava-Jato. Agora, um novo esquema se revela: além do tradicional caixa dois, há um grandioso esquema de propinas que alimenta as milionárias campanhas políticas brasileiras por meio de doações “legais”.
Sob impacto dos últimos escândalos, no ano passado, o STF (Supremo Tribunal Federal) analisou e julgou inconstitucional o financiamento eleitoral por empresas. A medida passará a valer para as eleições municipais deste ano.
“Embora, em princípio, não se deva estabelecer uma relação direta entre o financiamento e a corrupção política, o certo é que o financiamento se converteu, em muitas ocasiões, em fonte de corrupção, tanto em países subdesenvolvidos como nos desenvolvidos”, afirmou, em artigo publicado em 2005, Daniel Zovatto, diretor do Instituto Internacional para la Democracia y Asistencia Electoral (IDEA) para a América Latina e Caribe.Uma das formas, segundo Zovatto, de se reduzir a corrupção no financiamento de campanhas políticas é a adoção de medidas para baratear as disputas – por meio de limites de gastos, redução do período eleitoral e diminuição da propaganda política.
As eleições brasileiras de 2014 foram as mais caras da história e uma das mais caras do mundo. Segundo o TSE, o último pleito custou R$ 5,1 bilhões – valor 59% superior às eleições de 2010 (leia aqui artigo da série Reforma Política sobre o alto custo das disputas eleitorais e medidas que podem barateá-lo).
Segundo artigo do ministro do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, 95% desses R$ 5,1 bilhões foram doados por pessoas físicas ou jurídicas – dos quais 77% vieram de empresas, entidades ou associações e 23% de indivíduos. Os outros 5% dos recursos para pagar a eleição vieram de recursos públicos, sendo 3% deles do Fundo Partidário e 2% de contribuições espontâneas.
Essa proporção deve mudar significativamente a partir destas eleições, aumentando os repasses de recursos públicos e elevando a participação de doações de pessoas físicas no processo eleitoral.
Para Toffoli, o novo sistema brasileiro de financiamento serve de incentivo para que os eleitores se envolvam mais com o processo político, ao se tornarem as maiores responsáveis pelo financiamento das campanhas de seus candidatos. Contudo, essa nova realidade apresenta dois desafios: “de um lado, a baixa renda da maior parte da população brasileira, e de outro a possibilidade de que candidatos se auto financiem”. Segundo o ministro, esses dois fatores podem servir para que apenas candidatos com alto poder aquisitivo entrem na disputa eleitoral.Além da proibição da doação de empresas, o Congresso aprovou medidas no ano passado para reduzir o custo das campanhas (redução de sua duração, limite de gastos e diminuição do horário político). Políticos e marqueteiros têm dito que as eleições deste ano serão chinfrins; publicitários famosos, como Nelson Biondi e Duda Mendonça, afirmaram ao Estadão que não trabalharão em campanha este ano. E muitos políticos e instituições acreditam que o caixa dois voltará em alta.‎
Formas de financiamento
Existem três formas de financiamento de campanhas: o exclusivamente público (com repasses do governo ou mais conhecido como nossos impostos), o exclusivamente privado (que prevê apenas doações de empresas e de pessoas) e o misto, que permite aos partidos receberem recursos de fontes públicas e privadas.
Pelas regras que vigoram atualmente, o Brasil entrou no grupo dos poucos países da América Latina que proíbem a doação de empresas, junto com Paraguai, Uruguai e México. Esse grupo representa 21,9% do total da região. A maioria (62,5%) permite que partidos recebam ajuda privada. Apenas dois países proíbem totalmente o financiamento público – Venezuela e Bolívia.Zovatto destaca que os sistemas de financiamento vigentes na região tendem a ter regulamentação abundante, baixos níveis de transparência, órgãos de controle débeis, regime de sanções ineficaz e uma cultura inclinada ao não-cumprimento.
“Estamos em uma região com tradições políticas e culturais que favorecem o clientelismo e a impunidade, e que práticas de contabilidades duplas, estruturas paralelas, desvio de doações e etc., não são fáceis de erradicar de um dia para outro. Daí que, ao lado da lei, mecanismos culturais e pedagógicos também devem ser utilizados na formação cidadã para o acatamento das regras e a busca da transparência”, afirma Zovatto.‎
Argumentos
Argumentos para defender o financiamento privado, público ou misto existem e são diversos, mas a história mostra que nenhum deles é capaz de combater totalmente a corrupção.
“Episódios de corrupção associados ao financiamento da política verificam-se tanto em países que prevêem o financiamento público quanto naqueles que não o contemplam”, afirmou Delia Ferreira Rubio, consultora internacional na área de transparência eleitoral, em artigo publicado em 2005.
Uma vez que nenhuma forma de financiamento é capaz de combater, por si só, a corrupção de eleições, a escolha de um modelo passa por um debate que está na raiz das discussões políticas nos últimos tempos: a função do Estado na sociedade.
Para quem defende o financiamento público, a medida ajudaria a tornar a disputa mais justa, impedindo que um partido seja muito mais forte que o outro em aspectos financeiros, além de diminuir o poder de influência de empresas sobre políticos.Esse modelo, porém, sofre críticas de quem não acredita que o Estado deva ter presença maciça no dia a dia. “O Estado terá de ampliar a parcela do orçamento público alocada aos partidos ou candidatos, por mais baixos que sejam os custos das campanhas”, argumenta Rubio. “O aumento dos fundos destinados à atividade política não é facilmente justificável em sociedades como as da América Latina, geralmente com economias frágeis – quando não em franca crise – e importantes demandas sociais insatisfeitas”.
De fato, os recursos do Fundo Partidário aumentaram significativamente nos últimos anos no Brasil. Na última década, os recursos alocados pelo governo federal ao Fundo Partidário saltaram de R$ 117,9 milhões, em 2006, para R$ 819 milhões neste ano, um aumento de sete vezes. O maior valor foi registrado em 2015 – R$ 867,5 milhões, um pouco mais que o dobro visto no ano anterior (R$ 308,2 milhões).
Para 2016, o Orçamento da União, elaborado pelo governo Dilma Rousseff prevê R$ 819 milhões para o Fundo. O valor está acima do inicialmente planejado – R$ 311 milhões, ou 163% maior – após ter sido elevado pelo Congresso e sancionado pela então presidente. Segundo integrantes do governo, não houve veto à proposta diante do fim do financiamento empresarial, que deve dificultar as campanhas eleitorais para municípios neste ano.
O argumento dos defensores do financiamento privado é que os partidos são associações privadas e com participação voluntária, o que lhes conferem “o direito e o dever” de levantar os recursos necessários para que a agremiação sustente suas funções. “O problema desse enfoque é que os partidos políticos, embora sejam associações voluntárias, têm na verdade uma natureza mista, quase pública, como reconhecem muitas das constituições vigentes. Visto que uma das finalidades dos partidos é o acesso ao governo e a condução dos assuntos públicos, as questões que lhes dizem respeito deixam de ser de atribuição exclusiva de seus integrantes”, afirma Rubio.
Tanto para Rubio quanto para Zovatto, transparência, fiscalização e a aplicação de sanções são as melhores formas de coibir tentativas de corrupção, independentemente de como as campanhas são financiadas. Zovatto vai além, defendendo que o barateamento das disputas pode ajudar a reduzir a corrupção. Mas ele mesmo reconhece que será sempre preciso revisar as leis e normas para combater esse tipo de crime.“Todo esforço regulador do financiamento político deve levar em conta seu caráter flutuante e conjuntural em que a adoção de uma solução costuma produzir efeitos não desejados, os quais deverão ser, por sua vez, corrigidos mediante uma nova reforma legal”, disse. “Não existe um sistema de financiamento único, ideal, funcional para todos os países e situações. Ao contrário, cada país necessita projetar e aplicar seu próprio sistema de acordo com seus valores políticos e sua cultura”.
                                                          
      eio do caixa      2? Como garantir transparência, fiscalização e idoneidade no financiamento de campanhas?

quinta-feira, 9 de junho de 2016

O brasileiro gosta muito é de sinhozinhos

                                          


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Estado Brasileiro e seu Povo  
Eu estou convencido de que, no Brasil, o Estado tem sido visto como a solução para tudo. Há pobreza e corrupção? Há compadrio e aparelhagem da máquina pública? Há ignorância e atraso? Resistimos a obedecer a todas as normas e consideramos babacas quem as honra? Votamos em canalhas, mensaleiros e criminosos conhecidos? A culpa (e, portanto, a solução) é do ESTADO. Um Estado com letras maiúsculas. Eis um quadro curioso. A sociedade que sustenta o Estado não o vê como coisa sua. Pelo contrário, ela o imagina como um estrangeiro dotado da capacidade de resolver os seus problemas. Por isso, existe tanto a demanda do Estado como uma panaceia salvacionista, que pode nos transformar em funcionários públicos com salários altos, mas sem trabalho; quanto as acusações de negligência, porque a sociedade recusa considerar suas condutas. É mais fácil transferir as mudanças para o Estado. Assim, a sociedade concilia sua vergonhosa vertente reacionária e aristocrática com o desejo moderno de mudança. A ilusão é mais ou menos assim: nós queremos mudar, mas o Estado não muda. Logo, não mudamos coisa nenhuma. Nossos representantes são todos uns canalhas e por isso a "política" é uma desgraça. Mas quem são, cara-pálida, os nossos "políticos"? Serão marcianos? Ou são os nossos parentes e amigos, eleitos pelos nossos votos? Foi o que ocorreu com a Lei Seca e é o que está ocorrendo com o processo eleitoral e essa extraordinária e autenticamente popular lei dos fichas-sujas.
Convenhamos que ter um projeto, ou seja, um desejo consciente de eliminar bandidos do Parlamento e dos cargos eletivos porque, no Brasil, a figura da "imunidade parlamentar" foi aristocraticamente ampliada e aplicada a todo tipo de delito, só pode ocorrer, a esta altura do campeonato democrático entre nós. É um enorme avanço que finalmente denuncia como o sistema foi feito para enriquecer e proteger canalhas que não querem atuar para a coletividade, mas dela tirar partido. A idealização do sistema político chegou a tal ponto que pensamos poder mudar radicalmente certas práticas sociais somente com a adoção do sistema eleitoral, sem pensar nas suas demandas e consequências. Quem, pergunto ao leitor, deixaria que sua escola, departamento ou instituição contrate um bandido e, pior que isso, o proteja por meio de imunidades legais, como fez e tenta fazer o nosso Congresso Nacional? Que tipo de representatividade pode ser essa que mensaleiros que compram deputados com dinheiro vivo são tidos como vanguardistas sociais e revolucionários, defensores do povo de Deus? Como falar em liberdade e igualdade querendo controlar a imprensa? Ela não é ideal, mas pergunto eu: e o governo é? O que é preferível neste vale de lágrimas? Um governo que controla as notícias ou um sistema no qual as notícias são incontroláveis, exatamente porque a mídia sempre deixa a desejar? Aliás, há alguma coisa numa democracia que satisfaça a todos os desejos? O liberalismo (com o perdão da má palavra) não é, precisamente, uma estado social de insatisfação permanente? Tem gente que pensa que o liberalismo nasce pronto, como naquelas palestras que os espertos fazem para empresários. 
                                                       De onde vem nossos vícios
                                                                        

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Quase metade dos idosos no Brasil vivem com R$ 24 por dia

                                   



Pobreza e falta de planejamento ameaçam velhice de 60% dos jovens

Estudo do BID demonstra necessidade de planejamento desde cedo e a urgência de investimento na educação previdenciária

O desequilíbrio das contas da Previdência Social trouxe um problema cuja solução a longo prazo passa pelo corte de benefícios. Isso ocorrerá diretamente, com redução do valor, ou indiretamente, por meio de contribuições maiores — mais polpudas, durante mais tempo ou as duas coisas. Nesse quadro, estudo do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) mostra que 60% dos jovens que estão ingressando agora no mercado de trabalho chegarão à aposentadoria, em 2050, sem ter gerado economia o suficiente para levar uma velhice com qualidade. Além de não contribuírem o suficiente à Previdência, não têm a consciência do quanto é importante poupar agora para garantir qualidade de vida quando os gastos com saúde tendem a aumentar.

O estudo do BID indica que, mesmo dentre os trabalhadores autônomos, mais expostos à instabilidade, portanto acostumados a poupar, apenas três em cada 10 guardam dinheiro para se aposentar. A responsabilidade de planejar, porém, não é só dessas pessoas: o estudo do organismo internacional demonstra que o Estado precisa promover campanhas de incentivo ao início precoce da poupança.

Informar as pessoas sobre o tema é uma meta de governo, embora as ações ainda sejam embrionárias. 

O caminho a ser percorrido é longo. Alguns jovens até economizam, mas não para a velhice. É o caso de Gilmar da Silva Felix, 28 anos, funcionário de uma loja de sapatos. Ele recebe R$ 1,2 mil por mês e contribui  para um plano  com R$ 72 de Previdência.Privada "Eu sei que esse valor não é o suficiente para mais tarde porque o custo de vida só cresce", comenta. O vendedor explica que a única reserva que faz é para garantir a formação dos filhos. “Para a aposentadoria, não. Acho que falta uma divulgação por parte do governo para alertar a população sobre isso", diz.

Um agravamento da situação é o alto índice de empregos informais no país, muitos brasileiros não ganham suficientemente bem para contratar uma previdência complementar. O estudo feito pelo BID mostra que 21% das pessoas que trabalham hoje com carteira assinada não estarão nessa situação no prazo de um ano. Por conta dessa instabilidade, o benefício a ser recebido no futuro acaba sendo menor, ou mesmo inatingível.

Autônomos

A estudante Nathiele de Lima Vieira, 21 anos, trabalhou informalmente durante oito meses e reconhece que isso poderá prejudicá-la. "Vou ter que recompensar isso à frente", afirma. Ela conseguiu um emprego com carteira assinada neste mês, mas não pensa em fazer uma reserva extra para complementar a aposentadoria.

O presidente do Instituto de Estudos Previdenciários (Ieprev), Roberto de Carvalho, acredita que a criação de mais políticas de educação previdenciária poderia contribuir também com a formalização. "Ajudaria a alertar os autônomos sobre a importância de contribuir", observou Santos.



Desequilíbrio  expõe atraso

O desequilíbrio do sistema previdenciário brasileiro, que fechou 2015 com um déficit de R$ 51 bilhões, expõe a legislação atrasada sobre o tema. Para os especialistas, a Previdência Social não será capaz de se sustentar futuramente se continuar nos moldes atuais. A falta de uma idade mínima para aposentadoria, por exemplo, existente na maior parte do mundo, faz com que as pessoas parem de trabalhar ainda jovens e sigam sustentadas pelo governo por várias décadas.

"Quando a pessoa se aposenta antes dos 60 anos, vai ter três décadas de vida pela frente, em média. Não tem como o Estado sustentar: em nenhum país do mundo isso é possível", explica o especialista no tema Renato Fragelli, professor da Escola de Pós-Graduação em Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV).


O Brasil é um dos quatro países que não exigem idade mínima para se aposentar, ao lado de Grécia, Irã e Equador. "A Grécia tem o modelo mais parecido com o brasileiro. O agravante é que lá há um perfil etário mais envelhecido. E eles enfrentaram uma forte crise exatamente por causa da Previdência", pontua o sSecretário de Políticas de Previdência Social, Leonardo Rolim.

Hoje, desde que a mulher tenha os 30 anos de contribuição ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e o homem, 35 anos, pode-se parar de trabalhar com direito ao benefício, independentemente da faixa etária. O cidadão também tem a opção de receber um benefício menor se usar como critério a idade — eles aos 65 anos e elas aos 60 —, desde que tenha colaborado com o INSS por pelo menos 15 anos. Nesses casos, a Previdência faz um cálculo complexo que leva em consideração, entre outras coisas, 80% das maiores contribuições feitas após o ano de 1994 para chegar ao valor final que será recebido pelo aposentado.


O professor da FGV afirma que o governo brasileiro gasta o dobro do que deveria com aposentadorias. As despesas com os benefícios previdenciários representaram, no ano passado, 7,5% do Produto Interno Bruto (PIB). "O governo tentou desestimular a aposentadoria precoce com a implantação do fator previdenciário, que incentiva a pessoa a estender o tempo de contribuição. Mas o brasileiro é imediatista. Pelo menos, o fator segura a despesa, porque diminui o benefício de quem se aposenta cedo", explica. A economia total desde que essa equação foi implementada, em 1999, é de R$ 42,8 bilhões.

                                                                       


terça-feira, 24 de maio de 2016

Como a doutrina ideológica marxista atua na educação brasileira.


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Como a doutrinação ideológica marxitas atua na educação brasileira, quer em escolas particulares ou públicas.


Educação, eis a palavrinha mágica no discurso dos políticos e nas faixas de campanha, nos gritos de protesto e nas passeatas sindicais, a solução inevitável para todos os nossos problemas.

Na posse do segundo mandato da atual presidente, ela foi a estrela máxima:

“O novo lema do meu governo, simples direto e mobilizador, reflete com clareza qual será a nossa prioridade, e sinaliza para qual setor deve convergir nossos esforços. Trata-se de emblema com duplo significado. Estamos dizendo que a educação será a prioridade das prioridades, mas também que devemos buscar em todas ações de governo um sentido formador.”

Como apontamos por aqui, a nossa educação não anda muito bem das pernas. Atualmente 95% dos nossos alunos saem do ensino médio sem conhecimentos básicos em matemática, quase 40% dos universitários são analfabetos funcionais e 78,5% dos estudantes brasileiros finalizam o ensino médio sem conhecimentos adequados em língua portuguesa. Em resumo: enfiamos mais de 42 milhões de crianças e adolescentes em escolas públicas, a um custo nababesco, mas ensinamos muito pouco.

E as notícias ruins não terminam por aí. Segundo dados do Prova Brasil, 55% dos professores brasileiros dizem possuir pouco contato com a leitura. Além disso, uma pesquisa feita pela OCDE aponta que eles perdem, em média, 20% das suas aulas lidando com bagunça em sala de aula. Por fim, segundo o Núcleo Brasileiro de Estágio (Nube), quatro em cada dez universitários são barrados em seleções para estágio por causa de erros de ortografia – os estudantes de Pedagogia lideram entre os piores índices.
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Não bastasse o claro fracasso na escola como instituição de ensino, não raramente ela é usada como instrumento para doutrinação ideológica. De acordo com pesquisa realizada pelo Instituto Sensus, 78% dos professores brasileiros acreditam que a principal missão das escolas é “formar cidadãos” (apenas 8% apontou a opção “ensinar as matérias”) e 61% dos pais acham “normal” que os professores façam proselitismo ideológico em sala de aula.

Evidentemente essa não é uma prática assinada por todos os docentes – e seria chover no molhado apontar aqui que parte considerável dos nossos professores atuam na melhor das intenções, quando não são vítimas de material didático de péssimo gosto. Mas, ainda assim, a doutrinação atua como uma praga numa lavoura, corrompendo a formação intelectual de incontáveis estudantes e interferindo negativamente no ambiente de trabalho dos docentes.

Para combater a prática, o advogado Miguel Nagib criou a organização Escola Sem Partido, “uma iniciativa conjunta de estudantes e pais preocupados com o grau de contaminação político-ideológica das escolas brasileiras, em todos os níveis: do ensino básico ao superior”. A organização promove o debate e denuncia práticas de doutrinação em sala de aula. Em sua página é possível encontrar inúmeros exemplos de uso eleitoreiro e político nos livros didáticos brasileiros, propaganda ideológica em instituições de ensino, professores-militantes, entre outras aberrações presentes na nossa educação.

Aqui, 5 exemplos de como a doutrinação atua nas salas de aula do país.

1) O LIVRO DE HISTÓRIA MAIS VENDIDO DO PAÍS NÃO É UM LIVRO DE HISTÓRIA.

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O nome dele é Mario Furley Schmidt e ele é o responsável por um dos capítulos mais obscuros da história da educação no país. Mario é considerado o autor que mais vendeu livros de História no Brasil. Sua coleção, Nova História Crítica vendeu mais de 10 milhões de exemplares e foi lida por mais de 30 milhões de estudantes. Só tem um problema – Mario Schmidt não é historiador e sua obra não passa de mero panfleto marxista. Por receber 10% do preço de cada livro vendido, porém, Schmidt ficou milionário da noite para o dia.

A Nova História Crítica foi recomendada pelo Ministério da Educação. Na compra feita pelo MEC em 2005, o livro representava 30% – a maior parte – do total de livros de história escolhidos. Segundo o editor da Nova Geração, Arnaldo Saraiva, a obra “é o maior sucesso do mercado editorial didático dos últimos 500 anos”. Na coleção, feita para alunos de 5ª a 8ª séries, Schmidt faz contundentes elogios ao regime cubano, afirma que a propriedade privada aumenta o egoísmo, critica o acúmulo de capital e faz apologia ao Movimento dos Sem-Terra (MST). Além disso, trata Mao Tsé-Tung como um “grande estadista e comandante militar”. Por toda obra, o capitalismo e o socialismo são confrontados com informações maniqueístas, distorções bizarras, erros teóricos primários e releituras descompromissadas de qualquer apreço histórico.

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Nova História Crítica 8ª série - Neoliberalismo

2) QUE TAL PAGAR POR UM CENTRO DE DIFUSÃO DO COMUNISMO?


Sim, isso mesmo que você leu. Aconteceu na Universidade Federal de Ouro Preto. Vinculado ao curso de Serviço Social, o Centro de Difusão do Comunismo, sob a coordenação do professor André Luiz Monteiro Mayer, desenvolveu dois projetos de extensão: a Equipe Rosa Luxemburgo (um grupo “de Debate e Militância Política Anticapitalista”) e a Liga dos Comunistas (“núcleo de estudo e pesquisa sobre o movimento do real, referenciado à teoria social de Marx e à tradição marxista”). Não se engane: aqui não se trata de um centro destinado a estudar teoria e história do comunismo. Só há um único propósito no Centro de Difusão do Comunismo – como diz o seu nome, difundi-lo. E com dinheiro público.

O centro foi impedido de atuação por um juiz da 5ª Vara da Justiça Federal do Maranhão, José Carlos do Vale Madeira. De acordo com ele, a administração “não pode disponibilizar bens públicos para a difusão de doutrinas político-partidárias por mais relevantes que sejam historicamente”.
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3) NOS LIVROS APROVADOS PELO MEC, PALMAS PARA LULA, VAIAS PARA FHC.

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Deu na Folha:

Livros didáticos aprovados pelo MEC (Ministério da Educação) para alunos do ensino fundamental trazem críticas ao governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e elogios à gestão de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Uma das exigências do MEC para aprovar os livros é que não haja doutrinação política nas obras utilizadas.

O livro “História e Vida Integrada”, por exemplo, enumera problemas do governo FHC (1995-2002), como crise cambial e apagão, e traz críticas às privatizações. Já o item “Tudo pela reeleição” cita denúncias de compra de votos no Congresso para a aprovação da emenda que permitiu a recondução do tucano à Presidência. O fim da gestão FHC aparece no tópico “Um projeto não concluído”, que lista dados negativos do governo tucano. Por fim, diz que “um aspecto pode ser levantado como positivo”, citando melhorias na educação e a Lei de Responsabilidade Fiscal.
  

Já em relação ao governo Lula (2003-2010), o livro cita a “festa popular” da posse e diz que o petista “inovou no estilo de governar” ao criar o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social. O escândalo do mensalão é citado ao lado de uma série de dados positivos.

Ao explicar a eleição de FHC, o livro “História em Documentos” afirma que foi resultado do sucesso do Plano Real e acrescenta: “Mas decorreu também da aliança do presidente com políticos conservadores das elites”. Um quadro explica o papel dos aliados do tucano na sustentação da ditadura militar. Quando o assunto é o governo Lula, a autora – que à Folha disse ter sido imparcial – inicia com a luta do PT contra a ditadura e apenas cita que o partido fez “concessões” ao fazer “alianças com partidos adversários”.

Em dois livros aprovados pelo MEC, só há espaço para as críticas à política de privatizações promovida por FHC, sem contrabalançar com os argumentos do governo.

O outro lado:

O professor Claudino Piletti, coautor do livro “História e Vida Integrada”, da editora Ática, concorda que sua obra é mais favorável ao governo Lula. “Não tem o que contestar”, afirmou.

Ele disse que é responsável pela parte de história geral da obra e que a história do Brasil ficou a cargo de seu irmão, Nelson Piletti, que está na Itália e não foi encontrado pela reportagem. À Folha Claudino disse que critica o irmão pela tendência pró-Lula e vai tentar convencê-lo a mudar a obra.

“Não dá para ser objetivo. O professor de história tem suas preferências, coloca sua maneira de pensar. Realmente ele [Nelson] tem esse aspecto, tradicionalmente foi ligado à esquerda e ao PT”, afirmou Claudino.
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4) NEM OS LIVROS DE LÍNGUA PORTUGUESA FOGEM DA PROPAGANDA IDEOLÓGICA.


Num país onde 78,5% dos estudantes brasileiros finalizam o ensino médio sem conhecimentos adequados em língua portuguesa e quase 40% dos universitários são analfabetos funcionais, nem os livros de Língua Portuguesa escapam da propaganda ideológica. Lula e Fidel Castro ilustram conteúdos em dois livros didáticos de Língua Portuguesa para o Ensino Fundamental. Lula estampa o conteúdo de “expressão oral” em livro para o 6º ano (27447C0L01; atende crianças de 11 a 12 anos) e Fidel, o conteúdo de “reconstrução dos sentidos do texto” em livro para o 9º ano (27484C0L01, atende adolescentes de 14 e 15 anos).

Os livros de Língua Portuguesa fazem parte do catálogo do Plano Nacional do Livro Didático (PNLD), do Ministério da Educação, para o triênio 2014/16. Eles foram distribuídos para escolas públicas ligadas aos governos federal, distrital, estaduais e municipais.


Outro livro didático de Língua Portuguesa para o 6º ano do Ensino Fundamental (que faz parte do catálogo do Plano Nacional do Livro Didático, sob o nº 27484C0L01) usa uma charge para comparar a capacidade de decisão da presidente Dilma Rousseff com seus adversários políticos Marina Silva e José Serra. Como tarefa, o aluno é orientado a manter-se bem informado sobre o tema que pretende defender – “é preciso ter opinião”, diz a chamada.

5) PROPAGANDA IDEOLÓGICA NUM LIVRO DE… EDUCAÇÃO FÍSICA?


Pois é, nem os livros de Educação Física escapam. Ao menos não o Livro Didático de Educação Física para o Ensino Médio do Estado do Paraná. No terceiro capítulo da disciplina, chamado “Faço esporte ou sou usado pelo esporte?”, o livro didático público recorre ao esporte e à televisão para afirmar que ambos sofrem influência do sistema capitalista para explorar e dominar as massas, impondo suas idéias políticas e filosóficas.

“Regras: é preciso respeitá-las para sermos bons esportistas. Em nossa sociedade, devemos ser submissos às regras impostas pela classe dominante. Em nosso convívio social, devemos respeitar nossos colegas (…), contribuindo com o êxito da equipe ‘de trabalho’, isso quer dizer ‘enriquecer cada vez mais os patrões’”, diz o livro.

“O texto é declaradamente marxista, um emaranhado de sofismas, tendencioso do começo ao fim. A prática esportiva é secundária, o que importa é fazer a revolução gramsciana”, diz o advogado Miguel Nagib, presidente da organização Escola Sem Partido. Como relata o Gazeta do Povo, que entrevistou Nagib:

“Ao falar da “potencialidade transformadora” do ensino da Educação Física, o autor deixa claro que pretende usar a disciplina para fazer dos alunos “agentes de transformação social”. A técnica usada para levar os alunos a exercer o chamado “pensamento crítico” – que nunca é crítico em relação às atrocidades cometidas nos regimes comunistas – não é a da demonstração racional, mas a da insinuação maldosa. “O texto é repleto de perguntas retóricas, suspeitas, que induzem o estudante a fazer uma determinada abordagem do problema.”

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Para escrever seu livro de esporte com críticas ao capitalismo, Gilson José Caetano, formado em Educação Física, diz ter escolhido “um recorte baseado no materialismo histórico dialético”. Ele afirma que o marxismo seria a base teórica de consenso entre os professores que criaram as diretrizes da Secretaria de Educação do Paraná.
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Nem a prática esportiva escapa do proselitismo ideológico. E é você, claro, quem banca tudo isso.